No Complexo Santa Casa de Votuporanga, essa premissa ganhou um capítulo histórico em abril deste ano
Foto: Santa Casa
Os indicadores de um hospital vão muito além de meras estatísticas ou gráficos em uma tela; eles são a tradução exata do amor, do rigor técnico e do respeito com que cada paciente é tratado. No Complexo Santa Casa de Votuporanga, essa premissa ganhou um capítulo histórico em abril deste ano, quando a instituição celebrou seus 76 anos de fundação. Naquela oportunidade, foi anunciado um dos maiores selos de qualidade e segurança que um hospital pode oferecer: a marca inédita de taxa zero de infecção em cirurgias limpas em março.
O que já era uma conquista histórica transformou-se em consistência e rotina. Com imensa alegria e orgulho, a Santa Casa comunica que alcançou essa meta novamente no mês de maio, consolidando sua posição como liderança e referência em qualidade e segurança do paciente na região.
O valor invisível do silêncio e da disciplina
Para entender a grandiosidade desse feito, é preciso olhar para os bastidores. As chamadas "cirurgias limpas" são aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, sem processo infeccioso local, como procedimentos ortopédicos, cardíacos e eletivos. Manter a infecção zerada em um volume tão expressivo de cirurgias exige uma engrenagem perfeita.
Como detalhou a coordenadora de Enfermagem, Vanessa Ribeiro de Lima, o resultado é fruto do empenho e da vigilância constante das equipes assistenciais e de apoio:
"Muitas vezes, o trabalho da enfermagem, da higienização e do corpo clínico acontece no silêncio, nos detalhes, no rigor de cada protocolo seguido. E hoje, o resultado desse silêncio e dessa disciplina se traduz em um número que, para nós, é o maior troféu que poderíamos receber: alcançamos a marca de 0,0% de taxa de infecção em nossas cirurgias limpas. O zero vírgula zero é o 'padrão ouro'. Esse índice não se conquista com máquinas; se conquista com pessoas."
Vanessa complementa com sensibilidade o impacto real dessa conquista na vida de quem confia no hospital: “Eu quero dizer o que esse número realmente significa: ele significa que o pai, a mãe ou o filho que entra no nosso centro cirúrgico tem a garantia de que estamos entregando o ambiente mais seguro possível para a sua recuperação”.
Vigilância rigorosa e continuidade do cuidado
A conquista do "padrão ouro" não termina quando o paciente recebe a alta médica. O Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) atua de forma incansável no monitoramento pós-cirúrgico para garantir que o ambiente seguro de fato proteja a saúde a longo prazo. Todos os pacientes são avaliados de perto ao longo de 90 dias, e mesmo após o retorno médico, nenhum caso fechou o diagnóstico para Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).
Sara Paulino dos Anjos, supervisora de Enfermagem da SCIH, destaca a união de esforços e a dedicação minuciosa de cada setor para que essa marca seja mantida:
"Esse índice é o reflexo de um esforço diário e incansável que mobiliza o hospital de ponta a ponta. Ele começa na dedicação total do Centro Cirúrgico e da CME no cumprimento rigoroso de cada barreira de segurança e no uso de antibióticos profiláticos totalmente guiados por nossos protocolos. Esse cuidado se estende com o mesmo carinho na higienização especializada, focada na criticidade do ambiente cirúrgico, na atenção aos curativos e nas enfermarias durante o pós-alta. Ver que nenhum retorno fechou como infecção após 90 dias de monitoramento nos dá a certeza de que humanizar a saúde é, acima de tudo, cuidar de cada detalhe com excelência."
Cada taxa zerada e cada alta celebrada refletem a dedicação diária de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas, técnicos e equipes de higienização e apoio. Eles são os verdadeiros embaixadores de um cuidado focado na vida, provando que a disciplina técnica e o calor humano caminham de mãos dadas para construir o hospital que a nossa comunidade merece.