A metáfora popularmente reconhecida em nossa sociedade - talvez não tão conhecida como tal pelos mais jovens -, parece-nos estar perfeitamente ajustada à atuação dos poderosos em nossa sofrida nação.
Algumas constatações ou incertezas formais nos levaram a refletir sobre o momento vivido em nossa sociedade, especialmente quando nos aproximamos de mais um momento do escrutínio de nossos novos representantes.
Sempre ouvimos que a “alternância do poder” é uma condição primeira da fixação da democracia. Torna-se uma ação muito simples constatar quantos são os políticos que se perpetuam no poder em todos os níveis de Estado (município, estado e federação).
Outro ponto a observar é a forma de eleger nossos representantes que, por força dos termos da legislação, leva aos diferentes níveis de representatividade, pessoas que obtiveram número total de votos muito inferior ao de muitos outros candidatos, o que faz surgir a figura de puxadores de voto dos quais não nos lembramos pois, indubitavelmente, são inoperantes.
Outro fenômeno intrigante é o fato de a escolha dos membros da suprema corte judicial brasileira ser feita por indicação de possíveis pessoas que, na incoerência de atuação, são por seus indicados avaliados ou julgados.
Mas a questão não se esgota neste movimento e é ampliado com a indicação de “parceiros” para cargos de gestão do Estado. Os chamados cargos de confiança (cargo em comissão) para os quais basta a indicação da autoridade superior para o exercício da gestão pública. Assistimos, em nossa vida, um sem número de pessoas guindadas a cargos em comissão que não apresentavam formação ou competência mínima para o exercício coerente da função.
Após ser eleito para um cargo representativo do povo o político poderá deixar o cargo para o exercício de função no poder executivo com a garantia de retornar ao cargo político a qualquer tempo durante a legislatura, inclusive como forma de exercer o voto em casos de interesse do poder central. Pensamos que esta situação deveria ser alterada de forma a impedir tal “regalia”. Há que se garantir que cumpra suas ações para o cargo que foi “escolhido pela população” e não mais possa retornar. O pingue pongue de cargo por interesses momentâneos deveria ser impedido.
Vamos seguindo, se a democracia ocorre pelo diálogo e pela capacidade de convencimento e a natural formação da maioria, não mais deveríamos ter o voto de liderança; o voto de partido que chega a punir o membro e; a decisão unilateral de presidentes nos diversos níveis políticos (representatividade).
Urge, em função da mediocridade presente na maioria de nossos representantes em todos os níveis, a revisão do processo de construção da representatividade popular, do provimento de cargos nos diferentes ramos da gestão pública (Legislativo, judiciário e executivo) de forma a minimizar os efeitos nocivos vividos com a atual legislação.