Caminhando o caminho da vida, sempre pisando em pedras ocultas em mares de constantes incertezas, ponho-me a pensar sobre a vida vivida em meio às transformações humanas, demasiadamente humanas.
Neste texto, desejo provocar leitores e leitoras a analisarem, a partir de algumas citações que me parecem representar a necessidade atual de nossa humanidade.
Vamos lá!
Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático, afirmava que “nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio... pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tampouco o homem”. Essa metáfora é um poderoso lembrete da impermanência de todas as coisas. A água do rio flui incessantemente e, com ela, o próprio rio se transforma. Da mesma forma, o ser humano está em constante mutação; suas experiências, pensamentos e sentimentos se moldam a cada instante. Essa reflexão nos lembra que nada permanece estático e nos convida a entender a mudança como a única constante.
Afinal, como podemos crescer e evoluir sem aceitar a transformação como parte essencial de nossa existência?
Do encontro entre dois sábios que discutiam um tema sobre o qual ambos apresentavam fundamentos, conceitos e compreensões individuais — total ou parcialmente contraditórias — surgiam novas perspectivas humanas que, ainda que distintas, não impediam que cada qual siga seu caminho com suas convicções. Ambos se respeitavam integralmente e não julgavam o outro como um “idiota”, “imbecil” ou qualquer outro qualificativo desprezível.
Durante meio século, participamos de inúmeras discussões no campo específico de nossa formação profissional e convivemos com a diversidade de pensamentos, algo de elevado valor no seio das instituições formadoras de profissionais do ensino superior.
A partir de um determinado momento — que ouso afirmar ter sido concomitante com o ingresso da ideologia político-partidária no seio das instituições — passamos a conviver com a negação irresponsável, agressiva e excludente dos pensamentos, convicções e fundamentos daqueles que ousavam dialogar com perspectivas distintas da pretendida por um único espectro ideológico. Convivemos com processos seletivos de contratação pautados, quase que exclusivamente, pela adesão ideológica a um único grupo.
Essas atitudes se reproduziram e geraram adeptos da “ideologia” construída ao longo de alguns anos. Hoje, infelizmente, ao ser aventado um tema, proposta ou fundamento, os “sábios”, quando se encontram, iniciam o diálogo destruindo o oponente — aquele que, na ótica destes, os agride com seus conceitos — atacando especificamente suas características, por vezes com identificações que lhes são impostas pelos antagonistas sem que sejam efetivamente verdadeiras.
A imposição de valores, não mais passa pelos argumentos a serem analisados. São atitudes com base em conceitos deteriorados. A partir dessa lógica, não são mais discutidos os temas relevantes à sociedade. O objetivo único é a destruição do outro, sem qualquer fundamento lógico aceitável. Não são esses os comportamentos que observamos? Ou este professor está equivocado?
O mundo que cria a inteligência artificial e avança em inúmeras áreas do conhecimento humano exige habilidades e competências muito além da inoperante e desmedida agressão sistemática aos antagônicos, sem minimamente ponderar conceitualmente as possíveis divergências. Acabo de ouvir de candidatos que participarão do segundo turno que “vamos demonstrar tudo o que de maléfico está ao lado de nosso concorrente”. Não ouço propostas objetivas, ainda que de difíceis conquistas.
Muitos dos políticos presentes no quadro geral de representação popular estão, como tal, há muito tempo — alguns por mais de cinco mandatos — e nada fizeram para superarmos as mazelas sociais detectadas e exaustivamente explicitadas.
Se ensinamos a crianças de 5 anos que não se bate no Pedrinho, mesmo que ele não seja nosso amigo, por que aceitamos que adultos com 50 anos só saibam bater uns nos outros com rótulos? A convivência ética não é ausência de divergência. É a presença do respeito enquanto divergimos.