João Herrera Martins, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Votuporanga, conversou com o jornal A Cidade
João Herrera Martins entende que algumas medidas econômicas tendem a prejudicar o próprio país Foto: Reprodução
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
Em meio à polêmica sobre o fim da escala 6x1, o jornal A Cidade ouviu o Sindicato do Comércio Varejista de Votuporanga, por meio do seu presidente João Herrera Martins, que é contra a imposição de jornada de trabalho.
“Eu sou muito contrário a toda política econômica, às vezes, no campo do RH, tanto do empresário quanto dos colaboradores. Eu queria que mudasse isso. Já faz tempo, a gente anda lutando. Eu trabalho o tanto de hora que eu quero”, opinou o líder.
Ele também tocou no ponto tão falado sobre a saúde do trabalhador e a “formalização” da situação trabalhista brasileira. “A minha loja abre quantas horas eu quiser, ou 24 horas. E o meu empregado trabalha quantas horas ele quer. A saúde dele é ele que toma conta, porque ele vive 24 horas. Então, se ele não tiver saúde, ele não tem emprego. Então, eu sou contrário a toda essa formalização que existe no Brasil”, afirmou.
Outra questão também muito comentada é o encarecimento de produtos e serviços devido ao gasto maior dos empresários, que terão que contratar mais funcionários. Sobre isso, ele explicou que “as 44 horas sendo discutidas, eu acho o seguinte: quanto menos você trabalhar, mais caro vai ficar. Vai ficar mais caro o arroz e o feijão no supermercado, então, eu sou contrário a tudo isso. Eu, às vezes, estou levando o conhecimento da população de que, se você trabalhar 36 horas por semana, você vai trabalhar um dia e meio por semana. Então, você tem tudo isso de descanso. Então, eu acho que isso faz mal para a economia do país”.
O presidente do sindicato também apelou à população ao dizer que “às vezes, os empregados, os colaboradores, a grande maioria, não pensa dessa forma [de querer a redução da jornada]”. “Pensa diferente disso. Porque, às vezes, amanhã ele vai ser empreendedor também. Ele toma conhecimento, se familiariza, administra aquilo ali com carinho, com prazer”, acrescentou. Ele também pediu o mínimo de interferência do governo, afirmando que “o trabalhador, ele cuida da vida dele. Não é o governo que cuida da vida dele. O governo apenas dá educação para ele, banco de escola, que é a obrigação de todo o governo dar”.
Questionado sobre se a aprovação dessa medida pode quebrar o país, ele respondeu que “eu acho que vai. Eu acho que o prejudicado vai ser o próprio trabalhador. O trabalhador que está pensando dessa forma, ele tem que cuidar da empresa. Empresa nasce, você tem que cuidar dela. A empresa pode virar pó. Viraria pó e aí, às vezes, ele não fica. O acerto dele vai ser prolongado, às vezes nem recebe”.