A campanha visa destacar a importância do diagnóstico precoce para retardar a progressão dos sintomas e preservar a qualidade de vida dos pacientes
Foto: Divulgação/Sempre Bem
Luciana Tambuque
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O mês de fevereiro é marcado pela campanha Fevereiro Roxo, que busca conscientizar a população sobre doenças crônicas e sem cura, como o Doença de Alzheimer, destacando a importância do diagnóstico precoce para retardar a progressão dos sintomas e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
Para esclarecer dúvidas sobre os sinais, estágios e formas de tratamento, o neurologista Dr. João Ricardo Leão, da Santa Casa de Votuporanga, explica que a doença vai além de esquecimentos ocasionais. Segundo ele, diferentemente de lapsos de memória comuns, o Alzheimer é uma condição neurodegenerativa que compromete funções cognitivas essenciais, como pensamento, orientação e linguagem. “O diagnóstico precoce não muda o fato de a doença ser progressiva, mas muda drasticamente a forma como o paciente e a família enfrentam essa jornada”, afirma o médico.
A doença se manifesta em diferentes estágios. Na fase inicial, surgem pequenos esquecimentos, alterações sutis de personalidade e desorientação no tempo. Na fase intermediária, aparecem dificuldades na linguagem, necessidade de ajuda para a higiene pessoal e repetição frequente de perguntas. Já na fase avançada, o paciente pode ficar restrito ao leito, apresentar perda significativa da comunicação verbal e dificuldade para se alimentar.
O tratamento é dividido em duas frentes. A abordagem medicamentosa busca estabilizar sintomas cognitivos e controlar alterações comportamentais, como ansiedade e insônia. Já o tratamento não medicamentoso inclui terapias ocupacionais, estímulos com música, fisioterapia e manutenção de uma rotina estruturada. “O cérebro precisa de estímulos constantes. Atividades que desafiem a mente e o convívio social funcionam como uma reserva cognitiva, ajudando a retardar os sintomas mais severos”, explica o especialista.
Alguns sinais devem servir de alerta para familiares, como perda frequente de memória recente, dificuldade em realizar tarefas rotineiras, desorientação em locais conhecidos, confusão com datas e mudanças de humor sem causa aparente. Diante desses sintomas, a orientação é procurar avaliação médica especializada.
Para familiares e cuidadores, o neurologista recomenda simplificar a comunicação, utilizando frases curtas e diretas, adaptar o ambiente para evitar quedas e, principalmente, cuidar também da saúde mental de quem presta assistência. O suporte psicológico e pausas regulares são fundamentais para evitar sobrecarga.
Embora fatores genéticos estejam envolvidos, hábitos saudáveis podem contribuir para retardar o avanço da doença. Manter o cérebro ativo por meio da leitura, jogos e aprendizado de novas habilidades, controlar doenças como hipertensão e diabetes, priorizar o sono de qualidade e adotar uma alimentação equilibrada são medidas recomendadas.
A campanha reforça que, mesmo diante de um diagnóstico desafiador, é possível transformar a forma de cuidado. O suporte médico e familiar tem papel decisivo na qualidade de vida de quem convive com a doença.
Legenda:
Fevereiro Roxo reforça a importância do diagnóstico precoce e do apoio familiar no cuidado com pacientes diagnosticados com Alzheimer
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