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Num chuvoso 29 de maio de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso inaugurou a Ponte Rodoferroviária sobre o Rio Paraná, ligando São Paulo ao Mato Grosso do Sul. Em seu discurso, fez questão de lembrar a luta que travamos por quase três décadas em defesa dessa obra única da engenharia nacional, que integra São Paulo ao coração do Brasil. - Eu me recordo de muitas vezes ter vindo aqui...na barranca do rio. O deputado Edinho estava comigo (...) e sempre se referindo à ponte, à ponte, à ponte... Cá entre nós, eu mesmo não acreditava que fosse possível ultrapassar um vão tão grande e fazer uma ponte rodoferroviária. Pois bem, hoje, essa ponte é uma realidade, disse. Foram quase três décadas de luta sem trégua, muitas reviravoltas, momentos de otimismo, de pessimismo, de paralisação da obra, mas, ao final, o resultado foi o melhor possível para o desenvolvimento do Noroeste Paulista e a integração nacional. Com justiça, a ponte leva os nomes de dois políticos que apoiaram nossa luta: o ex-deputado Roberto Rollemberg e o ex-senador Vicente Vuolo. A obra preconizada por Euclides da Cunha no início do século passado finalmente saía do papel. Em seus escritos, ele deixou registrada a célebre frase: “... se isto (a construção da ponte) não acontecer, nos faltarão um grande engenheiro, um grande ministro e um grande chefe de Estado...” Interessei-me pela ponte ainda menino, quando o então candidato Jânio Quadros, na barranca do rio Paraná, prometeu construir a tão sonhada obra. Jânio teve um mandato relâmpago e não se falou mais na ponte. Mais tarde, ainda estudante, fui a Brasília no final dos anos 60 levar a reivindicação pessoalmente ao ministro dos Transportes, Mário Andreazza - sem sucesso. Depois, como prefeito de Santa Fé do Sul, deputado estadual por três vezes, deputado federal e presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara levei caravanas de autoridades à barranca do rio Paraná, pra que vissem ‘in loco’ a importância da ponte. Enfrentamos ainda a pressão dos políticos mineiros, que defendiam uma rota alternativa à nossa, e tivemos paralisação dos trabalhos, por falta de verbas, quando a obra estava pela metade. Com a obra finalmente entregue, a travessia rápida e segura sobre o rio Paraná aposentou a lentidão das antigas balsas. Antes da ponte existir, o tempo para cruzar o rio dependia diretamente das condições climáticas, e havia filas a qualquer hora nos ancoradouros das duas margens. Hoje, um carro cruza a ponte em cerca de três minutos. As cidades da fronteira de São Paulo e Mato Grosso do Sul experimentaram um incremento no intercâmbio comercial, cultural, turístico e de lazer. E com a ponte, a ferrovia avançou. Os trilhos rasgaram o Centro-Oeste brasileiro, e, de lá, seguem desbravando sertões, rumo a novos destinos, levando o desenvolvimento e a semente da integração nacional e continental plantada por Euclides da Cunha. Com o aumento do tráfego, a duplicação da rodovia Euclides da Cunha tornou-se inevitável na época. Hoje, vendo a beleza, a imponência e a importância estratégica da ponte rodoferroviária sinto o quanto valeu a pena acreditar sempre, e persistir, mesmo nos momentos mais adversos. Espero que a manutenção dessa obra seja sempre uma prioridade. Pela ponte, passam hoje as composições que trazem a produção do agro brasileiro, de lugares remotos até o Porto de Santos, e de lá para o mundo. No sentido inverso, os vagões levam fertilizantes, combustíveis e outros produtos. É uma via de progresso de duas mãos. Tentem imaginar como seria a nossa região sem essa obra! Parabéns a todos os que nos apoiaram essa conquista.
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