Rodrigo Marques sentou nesta quarta-feira (29) no banco dos réus acusado de matar o cantor votuporanguense a tiros
Julgamento começou às 8h e terminou às 20h50 (Foto: A Cidade)
Daniel Marques
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Um dos julgamentos de maior repercussão em Votuporanga e região foi realizado nesta quarta-feira (29) no Fórum da cidade. Mais especificamente no Tribunal do Júri, órgão competente para julgar crimes dolosos contra a vida. No banco dos réus sentou-se o agente penitenciário Rodrigo Marques, acusado de matar a tiros o cantor votuporanguense Gustavo Caporalini, de 39 anos. O crime foi registrado no dia 25 de fevereiro de 2024, na rua Amapá, no bairro Jardim Mastrocola. Rodrigo foi condenado a 23 anos e sete meses de prisão. O julgamento começou às 8h e terminou por volta das 20h50.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o crime teria sido motivado por ciúmes, após o acusado descobrir um suposto relacionamento entre sua ex-esposa e o cantor. Conforme a acusação, Rodrigo efetuou pelo menos sete disparos contra Gustavo, perseguiu a vítima até o interior da residência e continuou atirando mesmo depois de o cantor já ter caído no chão. Ainda de acordo com a denúncia, o acusado também atirou contra dois tios de Gustavo, que entraram em luta corporal para impedir novos disparos.
O MP denunciou Rodrigo por homicídio qualificado por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de meio cruel e por colocar outras pessoas em risco, uma vez que o crime ocorreu durante uma confraternização familiar. Ele está preso preventivamente desde o início das investigações, no presídio de Paulo de Faria.
Desde o início das investigações, o assassinato de Gustavo provocou grande repercussão em Votuporanga e em toda a região. O cantor era conhecido no cenário musical local, fazia parte da dupla Wesley e Gustavo, e o caso ganhou ampla visibilidade nas redes sociais e na imprensa regional.
O Tribunal do Júri ficou lotado durante os trabalhos, que foram acompanhados por familiares, amigos da vítima e demais interessados. No início da sessão, os sete jurados responsáveis por analisar o caso foram sorteados, dando início à fase de instrução em plenário.
Um dos momentos mais marcantes da manhã foi o depoimento de Ormélio Caporalini, pai de Gustavo. Bastante emocionado, ele interrompeu sua fala em diversas ocasiões por não conseguir conter a emoção. Em determinado momento, olhou em direção ao réu e declarou: “esse homem não tem coragem de olhar no meu rosto”.
Durante o depoimento, ele afirmou ao juiz Ricardo Palacin Pagliuso que não busca vingança pela morte do filho, mas sim a aplicação da Justiça. Em uma das declarações, disse: “se eu quisesse vingança, a gente não estaria aqui hoje”.
Ao recordar os acontecimentos desde a morte do cantor, o pai afirmou que a vida da família mudou completamente desde a tarde de domingo, 25 de fevereiro de 2024. Em outro trecho de sua fala, declarou: “são dois anos, quatro meses e cinco dias... São medicamentos, psiquiatra, psicólogo...”.
Em mais um momento de forte emoção, o pai de Gustavo afirmou: “ele condenou meu filho à morte”. As declarações emocionaram familiares e amigos presentes no plenário, muitos dos quais não conseguiram conter as lágrimas durante o depoimento.