Certamente os leitores terão inúmeras visões sobre o que passo a abordar. Ainda assim, corro o risco de ser julgado, de imediato, como um ingênuo ou um denunciante irreverente.
Há muitos anos — muitos mesmo — temos testemunhado atitudes deletérias de parte da população em nosso país. Desde muito pequeno, assisti pessoas sendo enganadas por estelionatários de toda ordem e das mais diversas formas, muitas delas assustadoramente criativas.
Na memória, permanece a imagem de pessoas incautas comprando “bilhetes premiados”, mesmo sabendo que “quando a esmola é demais, o santo desconfia”.
Ainda assim, caíam na promessa do dinheiro fácil.Com o tempo, as estratégias foram se aperfeiçoando e incorporaram as novas tecnologias. Hoje, elas nos incomodam a toda hora do dia e, para alguns, também durante a noite.
Muitos de nós estamos assistindo às falcatruas que pululam há anos no seio da nossa sociedade, inclusive nas instâncias de gestão estatal.
Essa constatação me levou a uma hipótese que, de antemão, já reconheço como ingênua. E se estimulássemos os especialistas em golpes a denunciarem, objetivamente, todos os envolvidos com suas expertises?
No momento em que vivemos, podemos até imaginar que tais criminosos poderiam se tornar “ídolos” da nação se delatassem todos os seus comparsas, corruptores e corruptos.
Certamente teríamos muitas surpresas. Mas talvez esse seja um bom começo para mudar a cultura de que “roubar faz parte da vida”.
Afinal, vivemos intensamente uma crise de confiança. Chegamos ao ponto de uma instituição financeira aplicar golpes em seus clientes. Quem sabe agora sejam responsabilizados e devolvam os lucros que, regularmente, já são abusivos.
Chegaríamos a depositar esperanças de mudança de uma sociedade iniciada pelos criminosos. Já ouvi pessoas afirmarem que a organizações criminosas punem exemplarmente os que não cumprem as regras, será?