A qualificação profissional pode abrir portas, mas seu impacto se torna ainda maior quando o conhecimento adquirido encontra aplicação na vida real. Aprender uma técnica é importante; compreender como transformá-la em produto, apresentar seu valor ao cliente e gerar renda é o passo seguinte. Essa é a proposta do Atitude Empreendedora, projeto desenvolvido pelo Escritório Regional do Sebrae-SP em Votuporanga.
A iniciativa integra as ações de inclusão produtiva e reúne o Sebrae-SP, o Senai e o Senac em torno de um objetivo comum oferecer qualificação profissional e criar condições para que os participantes enxerguem novas possibilidadQes de trabalho e geração de renda por meio do empreendedorismo.
A atuação conjunta permite combinar diferentes competências. Enquanto os cursos técnicos oferecem conhecimentos relacionados à produção, à qualidade e às boas práticas, o Sebrae-SP contribui com orientações sobre planejamento, custos, formação de preços, atendimento e comercialização. Essa integração aproxima a aprendizagem da realidade que o participante encontrará fora da sala de aula.
O diferencial das turmas está justamente na oportunidade de vivenciar todas as etapas de um negócio. Além das aulas práticas, os alunos fabricaram produtos e participaram de uma feira organizada ao final da capacitação, na qual puderam comercializar aquilo que produziram durante o curso.
Ao colocar o produto diante do público, o participante precisa calcular custos, definir preços, cuidar da apresentação, explicar os diferenciais e atender os clientes. Também passa a lidar com dúvidas, sugestões e reações reais do mercado.
É nesse momento que o aprendizado ganha outro significado. Uma receita bem executada demonstra domínio técnico, mas vendê-la exige compreender se o produto atende às expectativas do consumidor, se o preço cobre os custos e se a apresentação desperta interesse. Ao percorrer o caminho da produção à comercialização, o aluno percebe que empreender envolve diferentes decisões conectadas.
A feira também proporciona algo que nem sempre pode ser ensinado apenas por meio da teoria, a confiança. Muitas pessoas possuem habilidades, produzem alimentos de qualidade ou dominam uma técnica, mas ainda não se reconhecem como capazes de gerar renda com esse conhecimento. O contato direto com o cliente e a primeira venda ajudam a mudar essa percepção.
Ao ver alguém interessado no produto, receber um elogio ou perceber que existe mercado para aquilo que sabe fazer, o participante começa a enxergar novas possibilidades para o futuro. Isso não significa que todos sairão do curso com uma empresa aberta. Alguns poderão buscar uma colocação profissional, complementar a renda familiar, trabalhar sob encomenda ou amadurecer uma ideia antes de empreender. O importante é ampliar as opções.
Inclusão produtiva não deve ser entendida apenas como acesso a uma capacitação. Ela ocorre quando a pessoa desenvolve competências, fortalece sua autonomia e encontra condições para transformar o aprendizado em uma oportunidade concreta. Por isso, é necessário aproximar qualificação, mercado e empreendedorismo.
Outro resultado importante está no desenvolvimento de competências comportamentais. Durante o projeto, os participantes precisam trabalhar em equipe, organizar tarefas, cumprir prazos, resolver imprevistos e se comunicar com o público. Essas habilidades são valiosas tanto para quem decide abrir um negócio quanto para quem busca espaço no mercado de trabalho.
Ao proporcionar uma jornada completa, da aprendizagem técnica à venda, os municípios participantes tornaram-se pioneiros nesse formato dentro do Atitude Empreendedora. A experiência mostra que políticas de qualificação ganham força quando não terminam na entrega de um certificado, mas criam oportunidades para testar conhecimentos e aproximar os participantes do mercado.