Thiago é delegado a 18 anos e alerta que esta onda de crimes de estelionato digital está assolando a cidade com mais de 50 casos por mês
Thiago Pereira tem 18 anos como delegado e afirma nunca ter visto tantos estelionatos Foto: A Cidade
Da redação
Atualmente é comum conhecer alguém que sofreu uma tentativa ou caiu em um crime de estelionato. O Brasil inteiro vem sofrendo com o aumento expressivo desse tipo de crime, que saiu de 426 mil em 2018 para 2,2 milhões no ano passado, de acordo com números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Para entender melhor sobre o assunto, o jornal A Cidade conversou com o delegado da Polícia Civil de Votuporanga, Thiago Silva Pereira. Ele buscou explicar os diferentes tipos de golpes que os criminosos utilizam para tentar conseguir dinheiro do cidadão.
Delegado há 18 anos, estando lotado na Delegacia Seccional de Votuporanga há 13, Thiago fala que a cidade, e o Brasil como um todo, está vivendo “uma epidemia de estelionatos.”
Ele explica que isso começou com a popularização das redes sociais e dos mercados eletrônicos. “Com essa dinâmica, essa facilidade que nós temos de comércio eletrônico, a criminalidade migrou dos crimes violentos para esse tipo de crime. As organizações criminosas se especializaram, criando uma estrutura hierarquizada, e com isso migraram para esse tipo de crime patrimonial.”
Os números desse tipo de crime mostram a facilidade com que as organizações criminosas os cometem. Apenas em Votuporanga, a média é de 50 estelionatos bem sucedidos por mês, sem contar todas as outras tentativas que não tem êxito.
“Esses registros, que são de autoria desconhecida, são encaminhados para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que lá, uma vez tendo sido esclarecidos, ou dado o caminho do esclarecimento, retornam para nós, dando uma média de 50% de esclarecimento”, conta o delegado.
Thiago explica que uma situação ajudou a inflar os números de estelionatos na cidade. Trata-se do caso de uma agência de viagem que teve as atividades encerradas em março e acumula ações na justiça e investigações da polícia.
Existem vários tipos de golpes que são aplicados aos cidadãos, e o delegado explicou como funcionam os mais comuns. “O golpe do falso parente, ou clonagem de voz por IA. O criminoso liga para determinada pessoa, se passando por um parente, falando que precisa de dinheiro para pagar um mecânico ou algo parecido, induzindo a pessoa ao erro de depositar em uma conta de terceiro”, afirma.
Outro tipo de esquema criminoso é o do falso advogado, onde um criminoso tem acesso a dados judiciais, às vezes até sigilosos, e ligam para as partes afirmando que existem valores a serem recebidos mediante pagamento de supostas guias para os tribunais, custas ou impostos, induzindo o pagamento mediante a fraudes.
Sobre os sites de e-commerce, Thiago revela outro tipo comum de golpe é “a invasão com anúncios falsos de Instagram, OLX, esses sites onde as pessoas clonam os anúncios verdadeiros, e a pessoa interessada, ao invés de ligar para o verdadeiro vendedor, liga para o estelionatário. O anúncio existe, mas o valor é menor, isso faz com que a vítima seja induzida a erro.”
Por último, ele detalha outro esquema, o chamado phising. “O criminoso liga simulando o número oficial do banco, ou uma central antifraude. Ao receber a ligação, aparece no visor do celular, o banco que estiver cadastrado. Eles usam uma máscara para cadastrar o número e o cidadão pode pensar que está falando com o gerente. E a pessoa é induzida a efetuar pagamentos, eles emitem boletos, e a pessoa paga achando que está pagando exatamente para aquela conta que você tem”, conta o delegado.
Para se prevenir, ele fala que a desconfiança é a melhor forma. Sobre ligações, é importante questionar tudo que está sendo dito, quem está do outro lado e como provar que é a pessoa real. Caso seja um parente, o ideal é fazer uma pergunta que apenas a pessoa saiba responder, para confirmar a identidade.