Caso registrado na Praça Cívica da Concha Acústica volta a colocar em evidência a presença de pessoas em situação de rua no centro da cidade, tema frequente de reclamações e debates no município
Um desentendimento entre dois moradores em situação de rua terminou em morteFoto: A Cidade/Arquip
Daniel Marques
daniel@acidadevotuporanga.com.br
A morte de um homem em situação de rua em Votuporanga escancarou novamente o problema da população que vive nas ruas da cidade, situação que é frequentemente motivo de reclamações e debates no município, principalmente em relação às pessoas que permanecem em áreas centrais. Na tarde desta quarta-feira (9), um desentendimento entre dois moradores em situação de rua terminou em morte na Praça Cívica da Concha Acústica, ponto central de Votuporanga. A vítima foi identificada como Carlos Endrico Alves de Almeida, de 49 anos, conhecido localmente pelo apelido de Carlão, atingido por diversos golpes de faca durante o confronto.
De acordo com as informações apuradas sobre o caso, a briga teria sido motivada por uma discussão relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas no local. Após o início da agressão, socorristas da Unidade de Suporte Avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados e prestaram atendimento emergencial ainda na praça.
Carlos foi posteriormente transportado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Votuporanga, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo as informações do atendimento médico, ele deu entrada no pronto-socorro já sem sinais vitais.
O agressor fugiu logo após a violência, tomando o rumo do bairro Pozzobon. Desde a ocorrência, equipes da Polícia Militar mantinham buscas para localizar o suspeito. Nas primeiras horas desta quinta-feira (10), a ação policial resultou na prisão do homem suspeito de matar Carlos a facadas. Ele foi localizado por policiais enquanto transitava pela região do Parque da Cultura. Assim como a vítima, ele também vive em situação de rua. Após a abordagem, o homem foi conduzido à Central de Flagrantes da Polícia Civil, onde foram adotadas as providências relacionadas ao caso.
A morte de Carlão volta a colocar em debate a situação das pessoas em situação de rua em Votuporanga, especialmente em regiões de grande circulação, como a área central. A presença dessa população nesses espaços é recorrente em discussões no município e envolve questões relacionadas à assistência social, saúde, segurança e acolhimento.
Recentemente, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Votuporanga concluiu o Censo 2026 da População em Situação de Rua. O levantamento identificou e cadastrou 39 pessoas nessa condição no município. O número representa uma redução de 48% em comparação com o Censo 2025, quando foram registradas 75 pessoas em situação de rua.
Segundo a Secretaria Municipal de Direitos Humanos, o resultado evidencia os avanços alcançados por meio de uma atuação permanente, integrada e humanizada, construída pela pasta em conjunto com a rede de proteção social, os serviços de saúde e a sociedade civil organizada.
Entre as iniciativas desenvolvidas no município está o grupo “Vidas Visíveis”, voltado ao acompanhamento psicossocial e ao fortalecimento emocional das pessoas em situação de rua. O projeto conta com o apoio da Central de Atenção à Pessoa Egressa e Família (Caef) e do curso de Psicologia da Unifev.
A iniciativa promove encontros, escuta qualificada e construção de vínculos, com ações direcionadas ao acompanhamento e ao atendimento humanizado das pessoas em situação de rua. O trabalho integra as estratégias desenvolvidas no município para acompanhamento dessa população e articulação com a rede de proteção.
O caso ocorrido na Praça Cívica da Concha Acústica, além das providências policiais relacionadas à morte de Carlos Endrico Alves de Almeida, recoloca em evidência a realidade das pessoas que permanecem em situação de rua e os desafios relacionados ao atendimento e à proteção dessa população em Votuporanga.