A Finity Travel funcionava na mesma galeria do Supermercado Muffato; desde o dia 2 de março ela está fechada
Agência ficava no Supermercado Muffato (Foto: A Cidade)
O que deveria ser o planejamento de férias em família transformou-se em um boletim de ocorrência para o trabalhador Ataílson Pereira. Ele, a esposa Bruna e o filho planejavam desfrutar as praias de Maceió (AL) em agosto, em uma viagem que incluía outros dois parentes. O investimento de quase R$ 17 mil, pago em novembro de 2025, parece ter desaparecido junto com a operação da agência Finity Travel, em Votuporanga.
O caso de Ataílson é apenas a ponta de um iceberg que, segundo apuração do jornal
A Cidade, já soma um prejuízo estimado em mais de R$ 170 mil, envolvendo pelo menos 18 vítimas identificadas até o momento.
A relação de confiança de Ataílson com o proprietário da agência – que já havia operado uma franquia da CVC no mesmo local –, foi o que o levou a fechar o pacote. O sinal de alerta só acendeu nesta semana, quando um amigo mencionou ter sido vítima de um problema com a mesma empresa.
Ao ligar para o hotel em Maceió, Ataílson recebeu o choque: não havia qualquer reserva em seu nome. Ao procurar a sede física da agência, na galeria do Supermercado Muffato, encontrou as portas fechadas, sem mobília e com um comunicado colado ao vidro informando a suspensão das atividades presenciais desde 2 de março por "motivos de força maior relacionados a questões familiares".
As tentativas de contato com o proprietário têm sido infrutíferas. Em mensagens trocadas, o proprietário da agência, segundo Ataílson, teria prometido um distrato para reembolso via banco, mas não atende mais as ligações.
A reportagem identificou casos ainda mais graves. Um grupo de amigos que planejava viajar no primeiro semestre deste ano amarga um prejuízo coletivo que chega a R$ 72 mil. Outro relato aponta um erro administrativo da agência que impediu um passageiro de embarcar em uma viagem já ocorrida; na ocasião, apenas metade do valor foi restituído.
Com as malas prontas, mas sem passagens ou hospedagem garantidas, as vítimas agora se organizam para registrar queixas criminais e buscar reparação na Justiça. O cenário é de incerteza, com viagens agendadas para destinos nacionais e internacionais que, ao que tudo indica, nunca foram faturadas junto aos fornecedores.
Resposta da defesa
O advogado criminalista Henrique Bassi, que mantém escritório em São José do Rio Preto, é o representante legal do dono da empresa. Ele enviou nota ao
A Cidade, que será divulgada na íntegra: “a defesa técnica do representante da agência Finity Travel Votuporanga vem a público prestar esclarecimentos sobre a situação envolvendo a empresa e alguns serviços contratados por clientes. Recentemente, a empresa passou a enfrentar dificuldades financeiras e administrativas decorrentes de fatores que impactaram suas operações, entre eles a rescisão unilateral do contrato de franquia anteriormente mantido com a CVC – atualmente objeto de discussão judicial — e episódios de contestação de compras junto a operadoras de cartão (chargebacks), que afetaram o fluxo financeiro da agência. Em razão desse cenário, algumas viagens não poderão ser realizadas nas condições originalmente contratadas. A empresa está prestando esclarecimentos e suporte aos clientes na busca de soluções junto às instituições financeiras, sendo que alguns consumidores já estão obtendo estorno de valores diretamente com os bancos mediante suporte documental fornecido pela própria agência. Paralelamente, o representante da empresa vem buscando alternativas para reorganização financeira, incluindo tratativas para obtenção de empréstimos com o objetivo de reparar prejuízos e cumprir as obrigações perante os clientes, além da análise, junto a assessoria jurídica especializada, da viabilidade de ingresso em processo de Recuperação Judicial. A defesa ressalta que as dificuldades enfrentadas decorrem de circunstâncias financeiras e operacionais supervenientes, não havendo qualquer intenção de fraude ou prática criminosa por parte do representante”.